Lucy Brandão

Conciex Design System

Quando construir do zero não era a melhor decisão

Ao assumir a evolução de Design dos produtos Conciex, encontrei um ecossistema sem padrões compartilhados e com diferentes lógicas visuais entre interfaces. Em vez de iniciar imediatamente a construção de um Design System proprietário, defini uma estratégia por etapas: adotar uma base existente, adaptá-la à marca e usar o aprendizado real dos produtos para orientar a próxima evolução do sistema.

  • Design Systems
  • Product Strategy
  • Design Ops
  • Zendesk Garden
  • Stakeholder Management
Meu papel
Head de Produto / Product Designer Sênior
Contexto
BCR.CX / Conciex
Tipo
Estratégia e evolução de Design System
Produtos Conciex com identidade visual padronizada pelo Zendesk Garden

Escala

~28 componentesna base compartilhada do ecossistema
~30 desenvolvedoresutilizando os padrões
5 squadsconectadas pela mesma fundação
6+ produtosdentro do ecossistema Conciex

A estratégia priorizou impacto rápido e adoção real antes de investimento em uma solução proprietária.

O contexto

Quando entrei na BCR.CX, a empresa ainda não tinha uma função estruturada de Product Design.

Nas primeiras semanas, fiz um diagnóstico dos produtos e interfaces existentes. O cenário mostrava um problema recorrente: cada produto evoluía com sua própria lógica visual, sem padrões compartilhados suficientes para sustentar consistência à medida que o ecossistema crescia.

Ao mesmo tempo, a empresa operava em ritmo de startup. Não havia tempo, maturidade técnica ou estrutura de Design suficientes para justificar meses de investimento na construção imediata de um Design System proprietário.

O desafio passou a ser: como criar consistência e escala rapidamente, sem construir uma infraestrutura maior do que a organização conseguia sustentar naquele momento?

A primeira decisão: não construir

Minha experiência anterior no Animalia Design System me dava repertório para estruturar um sistema proprietário desde o início. Mas capacidade técnica não significava que essa seria a decisão correta.

Antes de escolher uma abordagem, considerei: quanto tempo levaria até os produtos perceberem alguma melhoria; se a organização já conseguiria manter uma biblioteca proprietária com qualidade; se os times conseguiriam incorporar novas práticas no ritmo necessário; e que grande parte dos produtos Conciex vive dentro do ecossistema Zendesk.

A análise me levou ao Zendesk Garden, Design System open source da própria Zendesk. Ele não precisava ser a solução perfeita. Precisava resolver a maior parte do problema com menor custo, menor risco e maior velocidade de adoção.

Uma evolução em três etapas

01 · Adotar — criar consistência rápido

Selecionei o Zendesk Garden como base e redesenhei telas existentes para tornar a proposta concreta antes de levá-la à liderança. A decisão foi apresentada a sócios e CTO não apenas como melhoria visual, mas como forma de reduzir decisões repetidas, criar padrões técnicos e acelerar a evolução dos produtos. Aprovada no primeiro mês.

02 · Adaptar — transformar uma base externa em algo reconhecível como Conciex

Para evoluir a identidade Conciex, trouxe uma profissional de Design Gráfico para aprofundar o trabalho de marca. Com essa base definida, minha atuação foi traduzir a identidade para o produto por meio dos tokens e padrões do sistema — em vez de reconstruir componentes só para "ter algo próprio".

Em andamento

03 · Evoluir — construir com evidência, não com suposição

A etapa atual é usar o conhecimento acumulado na adoção do Garden para orientar uma evolução mais proprietária do sistema. Agora as decisões podem partir de problemas e necessidades reais observados nos produtos — não de hipóteses sobre o que talvez seja necessário no futuro.

Design Systems também são um problema de adoção

A proposta foi adotada pela maior parte dos times, mas não por toda a organização. Uma das equipes optou por continuar trabalhando sem Garden ou outra biblioteca compartilhada.

Como Head de Produto, eu tinha autoridade direta sobre meu time — não sobre todos os times da empresa. Esse foi um aprendizado importante: definir um padrão e provar seu valor não significa automaticamente conseguir exigir sua adoção.

Com o tempo, a diferença entre as abordagens também passou a aparecer no trabalho cotidiano, especialmente quando meu time precisava apoiar entregas de outras frentes. O desafio deixou de ser apenas "como criar um Design System?" e passou a incluir "como aumentar sua adoção quando influência e autoridade não são a mesma coisa?".

Resultados

Uma fundação compartilhada

O ecossistema passou a operar com uma base comum de componentes e padrões em boa parte dos produtos e squads.

Identidade de produto

A linguagem visual Conciex passou a ser incorporada à base técnica por meio de tokens e padrões compartilhados.

Estratégia de evolução

A empresa conseguiu obter consistência sem assumir imediatamente o custo de manutenção de um sistema proprietário completo.

Aprendizado organizacional

A adoção parcial mostrou que Design Systems dependem tanto de governança e influência quanto de componentes.

Após a evolução visual, também começamos a receber feedbacks espontâneos mais positivos de clientes sobre a qualidade das interfaces.

O que esse projeto reforçou na minha forma de trabalhar

Contexto importa mais do que a solução mais sofisticada

O melhor Design System não é necessariamente aquele construído do zero. É aquele que a organização consegue adotar, sustentar e transformar em valor — e sequenciar bem (adotar → adaptar → evoluir) faz cada etapa gerar aprendizado suficiente para tornar a seguinte mais segura.

Consistência é estratégica antes de ser estética

O argumento que convenceu a liderança não foi "vai ficar bonito" — foi "vai reduzir erro e acelerar entrega".

Adoção é parte do produto

Componentes não criam consistência sozinhos. Um Design System também depende de comunicação, governança, confiança e capacidade de influenciar diferentes times.

Sistemas que escalam começam com boas decisões.

Gosto de trabalhar em problemas onde Design precisa equilibrar qualidade, velocidade, contexto técnico e maturidade organizacional — sem transformar complexidade em processo desnecessário.