LUCY BRANDÃO

Animalia Design System

Design system open source em larga escala na TOTVS

O Animalia sustenta dezenas de produtos em escala dentro da TOTVS, conectando múltiplas marcas, times e contextos de uso em um único sistema.

Papel
Product Designer / Desenvolvedora
Contexto
TOTVS
Tipo
Design System corporativo em produção
Captura de tela do Animalia Design System

Contexto

Trabalhei no Animalia como Product Designer e, em alguns momentos, também como desenvolvedora, dentro do time de Governança de Design. Fui a designer que permaneceu mais tempo dedicada ao sistema — o que me permitiu participar profundamente de todas as suas etapas, da concepção à evolução contínua.

A iniciativa era liderada pelo especialista do time — referência nacional em Design Systems e uma das pessoas mais importantes na minha formação profissional.

Construir um design system em uma empresa do porte da TOTVS envolve desafios únicos:

  • Múltiplas marcas convivendo no mesmo ecossistema
  • Times distribuídos em diferentes produtos
  • Níveis variados de maturidade em design
  • Forte dependência entre design e engenharia
  • Escala real, com impacto direto em milhares de usuários

O Animalia precisava ser mais do que uma biblioteca visual.

Ele precisava funcionar como uma linguagem comum entre design, produto e tecnologia.

Minha atuação no Animalia

Fui a pessoa que mais transitou entre áreas dentro do time. Entrei como desenvolvedora, mas desde o início ficou claro que eles queriam alguém que também atuasse com design — e foi exatamente isso que aconteceu.

Nos primeiros meses, fiquei quase integralmente com o time de research. Foi intencional: era minha primeira experiência prática com design e queria aprender o processo completo antes de entrar como PD. Foram meses de pesquisas, dinâmicas, roteiros, análises, transcrições de entrevistas. Aprendi a mesclar testes com entrevistas — usando ferramentas como Maze junto de conversas qualitativas — porque percebi que era a forma mais honesta de coletar feedback: alguns usuários adoravam a interface mas mal conseguiam completar os fluxos, enquanto outros reclamavam de mudanças mas acertavam tudo de primeira.

Com o tempo, fui assumindo mais tarefas de PD: inventário, discovery, documentações, propostas visuais, testes, iterações e handoff. Fazia design critique com frequência e gostava. Também organizei e apresentei onboardings para novos designers, fui host de vários eventos do hub — onde conheci designers relevantes do Brasil e de fora — e apresentei temas em alguns deles.

Uma das minhas responsabilidades mais específicas foi a acessibilidade. Percebi que os desenvolvedores do PO-UI resistiam às diretrizes de acessibilidade não por má vontade, mas porque ninguém estava explicando os porquês. Fiz um trabalho manual, conversando individualmente com cada dev — mostrando que ajustes simples permitiriam que pessoas cegas acessassem os produtos, que havia impacto real nisso. A resistência foi diminuindo. Depois levei isso para os eventos do hub, e a cultura foi mudando aos poucos. Durante todo o tempo que estive lá, cuidei da inclusão de critérios de acessibilidade — como aria-label — nos documentos de handoff, algo que antes não acontecia sistematicamente.

Também mantive o repositório de Web Components do Animalia DS — sem documentação, com muito código depreciado — e fui atualizando e adicionando componentes ao longo do tempo.

No último ano, participei do Projeto Júpiter: a iniciativa de padronização de interface dos maiores produtos da TOTVS (Protheus, Datasul e RM). Fui a primeira PD do time que foi alocada no projeto sem ter sido contratada especificamente para isso. Trabalhei com stakeholders sênior, participei de testes e ajudei a construir algumas interfaces. Quando alguém da equipe tirava férias, eu cobria.

Circulei por tudo o que pude enquanto estive lá — e era consciente disso. A maioria do time preferia ficar dentro da sua área. Eu preferia o contrário.

Redesign do Portal do Animalia

O portal do Animalia é o principal ponto de contato entre o design system e seus usuários — designers e desenvolvedores.

Com o crescimento do sistema, ele passou a concentrar uma grande quantidade de conteúdo técnico, o que começou a gerar fricção:

  • Designers tinham dificuldade para encontrar os componentes e diretrizes que precisavam
  • Desenvolvedores se perdiam entre exemplos, especificações e padrões
  • A navegação deixava de orientar — exigia esforço

A proposta do redesign foi simples na intenção e complexa na execução:

ajudar as pessoas a se orientarem melhor.

Queria que designers encontrassem rapidamente “o que usar” e que desenvolvedores entendessem com clareza “como implementar”.

Para isso, utilizei dados reais de uso — com apoio de ferramentas como o Hotjar — para observar:

  • Onde as pessoas mais clicavam
  • Onde hesitavam
  • Onde abandonavam
  • Como percorriam o conteúdo

Esses insights guiaram decisões de:

  • Arquitetura de informação
  • Hierarquia visual
  • Organização por contexto de uso
  • Forma de apresentar componentes como decisões, não apenas como peças visuais

O objetivo não era apenas “embelezar” o portal, mas transformá-lo em uma experiência que orienta, ensina e reduz fricção entre design e engenharia.

Antes: densidade excessiva e baixa orientação
Portal do Animalia antes do redesign — densidade excessiva e baixa orientação visual
Depois: hierarquia clara e navegação por contexto
Portal do Animalia depois do redesign — hierarquia clara e navegação por contexto

Animalia Copilot

Uma das contribuições mais marcantes foi a criação do Animalia Copilot.

Um plugin para Figma que ajuda designers da TOTVS a utilizarem corretamente:

  • Tokens de cor
  • Tipografia
  • Espaçamento
  • Temas por marca

O Copilot nasceu da combinação entre:

  • Compreensão profunda de design systems
  • Conhecimento técnico da API do Figma
  • Empatia pelas dores reais dos designers

Fui responsável por:

  • Conceito
  • Design
  • Desenvolvimento
  • Publicação do plugin

O Copilot reduziu o tempo de auditoria de tokens de cerca de 30 minutos por tela para menos de 5 segundos — e acabou identificando erros que revisões manuais consistentemente deixavam passar, incluindo problemas na própria biblioteca de ícones do Animalia. Ver designers utilizando essa ferramenta no dia a dia foi um dos marcos mais importantes da minha trajetória.

Plugin Animalia Copilot: dark mode
Plugin Animalia Copilot rodando no Figma em dark mode, listando tokens de cor e tipografia
Plugin Animalia Copilot: light mode
Plugin Animalia Copilot rodando no Figma em light mode, listando tokens de cor e tipografia

Resultados e Impacto

O Animalia hoje sustenta produtos reais em produção.

Meu trabalho contribuiu para:

  • Plugin Animalia Copilot adotado por 50+ designers, reduzindo auditorias de 30 minutos para menos de 5 segundos por tela
  • Maior consistência visual entre os produtos da TOTVS — design system afetando 100% dos produtos da empresa
  • Redução de ambiguidade entre design e engenharia, com critérios de acessibilidade (WCAG) integrados ao handoff
  • Adoção mais segura de tokens e padrões, com erros identificados automaticamente antes do desenvolvimento
  • Evolução contínua de componentes em escala, com repositório de Web Components atualizado e documentado

Mais do que um sistema visual, o Animalia se consolidou como uma base estrutural para produtos em escala.

O que esse projeto me ensinou

O Animalia representa meu período de transição mais decisivo.

Entrei como desenvolvedora em um time de design.

Saí como designer sênior.

Aprendi que:

Design system é produto

Consistência é estratégia

Documentação é experiência

Adoção é tão importante quanto criação

Design e engenharia não são áreas separadas — são camadas do mesmo sistema

Se você também está lidando com desafios de design system ou escala

Se o seu time enfrenta dificuldades com adoção, consistência, documentação ou a distância entre design e engenharia — podemos conversar.